O fortalecimento da cadeia produtiva do cacau e do chocolate foi um dos principais resultados da quinta edição do Festival Internacional do Chocolate e do Cacau de Altamira – Chocolat Xingu 2026, que reuniu atores estratégicos do setor em uma programação diversificada no Centro de Eventos de Altamira, no período de 11 a 14 de junho.
Com um público estimado em mais de 100 mil visitantes e cerca de R$ 25 milhões em negócios fechados, o Chocolat Xingu 2026 encerrou-se no domingo e evidenciou o vigor e a capacidade da cacauicultura do Pará que, entre os quase 35 mil produtores de cacau, tem aproximadamente 95% deles oriundos da agricultura familiar.
O secretário de estado da Agricultura Familiar, João Batista Uchoa, avaliou a programação como um sucesso que oportunizou divulgação, aprendizado sobre inovações, tecnologias e produtos para modernizar e melhorar, ainda mais, a produção de cacau no Pará, que já é a maior do Brasil.
“Foi um momento importante de encontro entre produtores de chocolate, produtores de cacau, empresários e consumidores, que tiveram oportunidade, através da feira, dos estandes e das exposições de negociar, de comprar e de degustar”, ressaltou o titular da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (Seaf) que manteve um estande com exposição de produtos e atendimento ao público para divulgação de políticas públicas do Governo do Pará para apoio e incentivo aos agricultores familiares.
A Seaf também promoveu uma oficina sobre crédito rural, assistência técnica para a cacauicultura e diversificação produtiva na agricultura familiar que tinha público previsto de 20 produtores de cacau e reuniu mais de 70 participantes durante a realização do festival.
“Houve o encontro entre as mais de 15 instituições que promovem assistência técnica e extensão rural no Pará, interagindo e socializando experiências, mas também partilhando desafios que estão colocados para que se possa produzir mais, na certeza de que temos condições de ampliar a produção”, complementou João Batista Uchoa.
Oportunidades
A chef chocolatier Fernanda Sahaba, da Colônia Chicano de Santa Bárbara do Pará, esteve entre os mais de 150 expositores do festival e aproveitou o evento para apresentar ao público os produtos da Bada Chocolateria e divulgar a produção artesanal vinda da agrofloresta para alcançar novos mercados.
“Nós viemos expor os nossos produtos que são fabricados com o nosso próprio cacau. Nós produzimos desde a muda até a nossa barra de chocolate”, ressaltou Fernanda que frisou as possibilidades do evento para os produtores. “Porque é uma grande vitrine pra nós, como estamos começando na caminhada do chocolate, é uma forma de apresentar, chegar também, mais próximo a confeiteiros, a chefs que trabalham com chocolate de origem e apresentar os nossos produtos”, reforçou.
Com o sonho de ter o produto reconhecido e levar o chocolate dela para outros lugares do Brasil, a agricultora familiar Mariete Conceição de Oliveira, moradora do ramal da Firma, em Senador José Porfírio, participou do festival com grandes expectativas para o futuro dos negócios.
“Já faço doces artesanalmente em casa, mas meu grande sonho é ser reconhecida, levar meu chocolate, expandir meu chocolate pra fora”, disse a agricultora familiar. “Eu vim aprender mais com os outros, como é que é como não é. E aí, eu quero crescer mais com o meu produto”, reforçou.
Chocolates premiados
O Festival do Chocolate também premiou os vencedores do Concurso de Melhor Chocolate Paraense e de Produtos Derivados de Cacau, iniciativa que reconhece a excelência, a criatividade e a qualidade dos produtos feitos com ingredientes amazônicos, valorizando a cadeia produtiva do cacau paraense. Na competição os foram produtores de Marabá e Abaetetuba.
Antônio Sena, produtor da marca Cacau Yeshua Chocolates, de Abaetetuba, conquistou três premiações nas categorias Chocolate ao Leite, Chocolate Inovação e Produto Derivado de Cacau e Chocolate. De Marabá, a chef Larissa Ribeiro, da Aorô Chocolate, conquistou o ouro na categoria Chocolate Intenso, considerada a principal premiação do concurso. Produtores de Altamira, Medicilândia e Vitória do Xingu, também receberam premiações pela qualidade do chocolate.
“Um evento como o Festival Internacional do Chocolate e Cacau é muito importante para a Agricultura familiar porque o cultivo de cacau no Pará é predominantemente uma atividade da Agricultura Familiar. Aqui no festival podemos ver a importância da verticalização da produção, pois os agricultores cultivam o cacau e, também, produzem chocolate e chocolate de qualidade reconhecida internacionalmente”, frisou Josimar Vasconcelos, coordenador de Sociobioeconomia, Proteção de Territórios, Saberes e Comunidades Tradicionais da Seaf.
Fórum da Cacauicultura
Outro destaque na programação do Festival Internacional do Chocolate e Cacau de Altamira foi o Fórum da Cacauicultura Altamira 2026 que teve como tema ‘Cacau na Transamazônica e Xingu: Intensificação Sustentável e Agregação de Valor na Amazônia’. A atividade reuniu atores estratégicos num encontro técnico voltado ao fortalecimento da cacauicultura sustentável, inovação produtiva, sanidade do cacaueiro, organização produtiva e acesso a mercados.
Financiado pelo Funcacau, a programação é resultado da parceria entre o Governo do Pará, por meio da Sedap e da Seaf, com a Prefeitura de Altamira, por intermédio da Secretaria Municipal de Agricultura, e a MVU Empreendimentos, responsável pela organização do evento, com objetivo de contribuir para a valorização da cacauicultura paraense.