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AGROECOLOGIA NAS ESCOLAS

Instituto apresenta relatório sobre situação da merenda em escolas da Região Metropolitana de Belém

Enviado por tania.menezes em
Imagem mostra homem careca de camisa clara de pé ao microfone e outras três pessoas sentadas ao lado dele em um palco
Maurício Alcântara, junto com a equipe de pesquisa do Instituto Regenera, apresentou dados sobre a situação da merenda escolar nos oito municípios alvo do levantamento - Foto: Seaf

 

 

Mudar o cenário da alimentação escolar é um dos principais objetivos da pesquisa realizada em oito municípios da Região Metropolitana de Belém e que resultou no relatório ‘Agroecologia nas Escolas – Sociobiodiversidade amazônica e justiça climática no cardápio da alimentação escolar’, apresentado a profissionais e representantes das prefeituras envolvidas nesta quarta-feira (12), no auditório do Centro de Treinamento da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), no bairro do Marco, em Belém. O documento é uma realização do Instituto Regenera e tem a parceria da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (Seaf).

 

 

“Nós do Pará, somos referência nacional e internacional de alimentos da biodiversidade amazônica, da sociobioeconomia, produzidos com qualidade e que colaboram com a segurança alimentar e com a educação alunos”, destacou o diretor de Organização Produtiva e Comunidades Tradicionais da Seaf, Anderson Serra que frisou a importância do Programa Nacional da Alimentação Escolar (PNAE) tanto para a nutrição dos estudantes, como para o fortalecimento da agricultura familiar e para o desenvolvimento econômico dos municípios.

 

imagem mostra dezenas de pessoas juntas em foto em auditório, mostrando livro
Participantes do lançamento do Relatório Agroecologia nas escolas  mostraram o livro recebido que servirá de base para ações de aperfeiçoamento do processo de aquisição da merenda escolar - Foto: Seaf

 

Segundo Maurício Alcântara, cofundador e diretor de comunicação do Instituto Regenera, uma das principais necessidades identificadas com o estudo é a de apoiar agricultores familiares e pequenos produtores para que possam se habilitar e atender aos requisitos exigidos para fornecer alimentos para a merenda escolar.

 

 

“Tem produtor que não tem a regularização necessária ou que precisa de um apoio de uma assistência técnica para poder ofertar (alimentos) de uma forma adequada”, pontuou Maurício. “Tem muito mais produção do que a gente compra hoje, né? Então precisa muito mais de um olhar coordenado para poder incluir esses produtores, apoiá-los no que eles precisam, mas ao mesmo tempo, pensar a política pública que tá comprando esses alimentos para considerar a produção desses agricultores”, acrescentou.

 

imagem mostra mulher em púpito no palco de um auditório
Letícia Luz destacou a insegurança alimentar e a importância da merenda escolar para os alunos, especialmente da rede pública - Foto: Seaf

 

A geóloga Letícia Luz, especialista em sustentabilidade e governança climática do Instituto Regenera, reforçou que fortalecer a participação da agricultura familiar na quantidade e na diversidade de alimentos ofertados na merenda escolar é fundamental para a saúde e desenvolvimento educacional dos estudantes. “Tem criança que tem uma alimentação muito ruim em casa e a melhor alimentação que ela tem é na escola”, ressaltou durante a apresentação do relatório e lembrou que é preciso considerar a cultura local e os interesses alimentares dos próprios alunos.

 

 

“A Secretaria de Estado da Agricultura Familiar tem tido um papel de contribuir com as prefeituras municipais para que elas possam capacitar equipes para melhorar o cardápio, melhorar as chamadas públicas para aumentar o percentual de produtos da Agricultura Familiar e Comunidades Tradicionais na alimentação escolar”, relatou Anderson Serra.

 

 

Durante a apresentação do relatório, foram apresentadas experiências bem-sucedidas desenvolvidas pelos municípios participantes da pesquisa (Ananindeua, Barcarena, Belém, Benevides, Castanhal, Marituba, Santa Bárbara do Pará e Santa Izabel do Pará) para ampliar e melhorar a oferta de alimentos da agricultura familiar no cardápio da merenda escolar. Os relatos das iniciativas geraram interesse do público que teve a participação de agricultores, nutricionistas, coordenadores de alimentação escolar nas escolas, diretores, professores e outros profissionais com algum envolvimento no processo de alimentação escolar.

 

imagem mostra homem sentado em auditório, falando ao microfone e mostrando o relatório da alimentação escolar
Abraão destacou a alegria de ver o resultado da pesquisa e o interesse em ver a disponibilização e apoio para os agricultores familiares - Foto: Seaf

 

“Cada vez que eu venho, aprendo mais um pouco e agora tô pegando um material como esse (relatório) que para mim já é um troféu, sempre trabalhei com prática agroecológica”, disse o agricultor familiar de Marituba Abraão Braga, que se revelou muito feliz e ansioso com compartilhamento do estudo com outros agricultores para incentivar o aprimoramento das práticas e atendimento da merenda escolar.

 

 

Para a quilombola de Jacarequara, de Santa Luzia do Pará Ana Beatriz Moreira, técnica da Seaf, é uma pena ainda ver muitas crianças ainda consumindo grande quantidade de alimentos processados, industrializados, diante da diversidade de alimentos nos territórios rurais do Pará.

 

 

“Nós temos o peixe, temos o açaí, temos a macaxeira, a pupunha e muitas vezes isso não chega às nossas escolas e se estraga”, lamentou Ana Beatriz que parabenizou a pesquisa do Instituto Regenera por apontar possibilidades de aperfeiçoamento das práticas e processos de aquisição de produtos e fortalecimento da relação da escola com os agricultores, de forma a aprimorar a oferta de alimentos locais sustentáveis e contribuir para um sistema mais integrado em que todos saem ganhando: estudantes, agricultores, economia, saúde e educação.