
Com objetivo de impulsionar a produção sustentável e transformar territórios, o Governo do Estado concluiu, nesta sexta-feira (26), a Trilha de Capacitação em Bioeconomia para Servidores Públicos e PIQCTAFs (Povos Indígenas, Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais e Agricultores Familiares). Os participantes receberam certificados em uma cerimônia realizada no auditório de um hotel no bairro do Guamá, em Belém.
A formação durou mais de um ano e faz parte das ações do Projeto Realiza Pará, coordenada pela Secretaria Adjunta de Bioeconomia (Sabio), vinculada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas) e tem a parceria da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (Seaf). A qualificação também tem como objetivo contribuir para a implementação da Política Estadual de Bioeconomia (PlanBio), a partir de uma rede de agentes multiplicadores que saibam identificar e aproveitar oportunidades de financiamento, mercados e instrumentos de fortalecimento dos negócios da sociobiodiversidade nos territórios.
“O Governo entende e vê a sociobioeconomia como uma estratégia importante para o desenvolvimento”, destacou secretário de estado da Agricultura Familiar, João Batista Uchoa, durante a cerimônia de certificação. “A gente tem uma riqueza imensa nos territórios, em todos os aspectos. Nos territórios está a diversidade cultural, a diversidade produtiva, então a solução para as crises está em valorizar o que se tem de importante nesses territórios", pontuou o titular da Seaf.
Com a qualificação de servidores e de lideranças de comunidades tradicionais, povos indígenas, quilombolas, extrativistas, ribeirinhos e agricultores familiares de diversas regiões, o Governo do Pará investe na construção de uma bioeconomia forte, capaz de gerar renda, conservar a floresta e promover desenvolvimento sustentável.
Para o coordenador de Sociobioeconomia, Proteção de Territórios, Saberes e Comunidades Tradicionais da Seaf, Josimar Vasconcelos a compreensão do que é e como deve ser desenvolvida a sociobioeconomia é fundamental para o servidor se habituar ao novo jeito de fazer política, de interagir e contribuir para as comunidades tradicionais e agricultores familiares.

“Para a Seaf isso é muito importante porque nós temos essa relação direta com a agricultura familiar e com povos e comunidades tradicionais. Então, ter dentro da secretaria um servidor que compreende a dinâmica da sociobioeconomia fortalece as nossas ações, fortalece as políticas públicas voltadas ao nosso público que são agricultores e agricultoras familiares e povos e comunidades tradicionais”, explica.
“A trilha contribui justamente para fortalecer essa conexão entre Estado e territórios", ressalta a secretária adjunta de Bioeconomia da Semas Camille Bemerguy sobre a iniciativa que priorizou lideranças das comunidades que enfrentam diariamente desafios de desenvolver a sociobioeconomia nos territórios e precisavam de suporte para melhorar a produção, comercialização, obter acesso a crédito, regularização e gestão de empreendimentos comunitários.
Silvia Coelho, da Associação Berê Xikrin, que representa 16 aldeias da região de Altamira participou da Trilha de Capacitação. Segundo ela, a comunidade já trabalha com castanha do Pará, óleo de coco babaçu, farinha, biojoias e outros elementos da sociobioeconomia, mas não tem acesso a formação e capacitações para aperfeiçoar a produção e acessar mercados.
“A maioria não fala português, principalmente as mulheres, então eu tô aqui me coloquei à disposição para participar desse evento, aprendo e levo as informações pra dentro da comunidade, transformando em uma metodologia diferenciada pra que aquela população possa entender”, explicou Silvia. “O resultado é qualidade de vida, né, porque a partir do momento em que você consegue trazer renda para a comunidade, você consegue dar qualidade de vida melhor para os seus filhos”, acrescentou.
Multiplicar nos Territórios
Além de Silvia, os demais participantes serão multiplicadores dos conhecimentos da trilha de capacitação, que incluíram direitos territoriais, acesso a políticas públicas, elaboração de projetos e mecanismos de valorização dos conhecimentos tradicionais.
A Trilha de Capacitação em Bioeconomia tem financiamento do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), com execução financeira da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e apoio de parceiros como a GIZ, Ministério do Meio Ambiente, Escola de Governança Pública do Estado do Pará (EGPA), Seaf e Resaberes, entre outras instituições.